quarta-feira, 28 de julho de 2010

O REINO DE VALDECACOS

O reino de Valdecacos prepara-se para atravessar mais um verão quente, não em termos políticos, pois por aí as coisas parecem calmas pelo menos aparentemente, mas em termos climatéricos. Depois de um dos invernos mais chuvosos de que há memória, que teve como consequência o crescimento desmesurado de ervas e gramíneas por tudo quanto é sítio, e que agora secas por este sol abrasador são um autêntico barril de pólvora pronto a explodir e a transformar o reino de Valdecacos num autêntico braseiro. Se não houver um cuidado extremo por parte de todos, e nestas circunstancias mais vale prevenir que remediar, as entidades que fazem parte do gabinete de protecção civil do reino, devem reunir-se e criar equipas de que farão parte bombeiros e GNR, para percorrerem as mais diversas localidades do reino em acções de sensibilização junto das populações.
Com o mês de Julho já iniciado, vamos assistindo por todo o país e por alguns reinos vizinhos a iniciativas de todo o género, desde festivais para animar a malta, a feiras que procuram reanimar a economia, tão depauperada pela crise que afecta o mundo inteiro e a Europa em particular, só aqui no reino de Valdecacos as iniciativas pecam por defeito e a vida continua no seu rame rame habitual.
Aqui bem perto, na região do Douro, cuja classificação como património mundial começa a dar os seus frutos, multiplicam-se iniciativas turísticas e culturais, nascem como cogumelos em dias de chuva quintas que são transformadas em hotéis de charme, abrem restaurantes gourmet, passeios de barco e de comboio são procurados por turistas de todo o mundo, rotas do vinho e gastronómicas, cursos para enófilos, a evocação permanente de grandes escritores da língua portuguesa e a sua ligação às gentes e à terra duriense (Camilo e Eça entre outros).
Então e nós? Vamos ficar parados? Quem é que se atreve a dar o pontapé de saída?
Nós que agora já nem pertencemos ao Douro, fazemos parte do pequeno grupo de reinos do Alto Tâmega, integrados numa região mais vasta que inclui os reinos da Terra Quente e Terra Fria Transmontana e que são muitos, o que é que nós temos que possa ser potenciado de forma a servir de motor para um desenvolvimento sustentado, que combate a maior praga que nos aflige, que nos vai tirando as forças e acabará por nos destruir, se não lhe dermos uma luta sem tréguas, e que é como já todos imaginamos a desertificação. Todos os reinos da nossa comunidade Transmontana tem belas paisagens, são propícios à caça, à pesca, ao turismo de natureza etc. Todos os reinos da Terra Quente têm bons vinhos e azeites. Todos os reinos da Terra Fria têm boa castanha e boa carne. Então o que é que nos distingue? Qual é a aposta que devemos fazer? Ainda iremos a tempo de fazer algo que potencie o futuro do reino de Valdecacos? Eu julgo que sim, e acho que quem de direito poderá tomar como suas estas minhas ideias, pois como sabeis eu não existo, apenas escrevo.
O que nos distingue em relação à comunidade em que estamos inseridos, que vai do reino Bragançano, e do Planalto Mirandês, até aos reinos de Monte Triste, Vila Mouca, e da Flávia, é a nossa centralidade, e o facto de o nosso reino ter dentro das suas fronteiras a Terra Fria e a Terra Quente Transmontanas. Há que dar importância a esta nova centralidade que o reino de Valdecacos adquiriu com a nova reorganização político-administrativa. Mas então se os outros têm tudo que nós temos o que é que vamos potenciar? Pois vamos potenciar o facto de sermos a sede da região vitivinícola de Trás-os-montes, e apostar forte no museu do vinho e sede da região vitivinícola, no apoio aos produtores, nas rotas do vinho, em cursos vitivinícolas, em roteiros gastronómicos, no intercâmbio com confrarias de enófilos e gastronómicas, vamos aproveitar o facto de sermos vizinhos da região do Douro e tirar partido de algum do fluxo turístico para aí dirigido. Saibamos criar algo de bom e genuíno, algo que valha a pena ser visitado, apostemos na divulgação dos vinhos da região, incentivemos os restaurantes a elaborar cartas privilegiando os vinhos transmontanos. Os primeiros passos já estão a ser dados por alguns produtores independentes e algumas adegas cooperativas. Os responsáveis da comissão vitivinícola transmontana tem que ter uma mentalidade aberta e saber ultrapassar as fronteiras do reino de Valdecacos, criando uma instituição em que todos se sintam representados e saibam acima de tudo que no reino de Valdecacos irá existir a breve trecho um local que será sala de visita de todos os produtores de vinho de Trás-os-Montes, com visitas guiadas ao museu, provas de vinhos, cursos de enofilia, degustação de fumeiros, folar e produtos regionais. Tudo isto claro está potenciando o negócio de todos estes produtos e artigos com eles relacionados.




PS: As conversas de café das últimas semanas, giram todas à volta da abertura do bar das piscinas, e da sua concessão sem concurso a um funcionário da câmara recem reformado! Comentário premiado “Reformou-se da câmara mas não do partido”.
O prémio comandante Valdessapos deste mês vai para o Arcipreste Dom Papalves, a propósito das tiradas com que continua a brindar os paroquianos do alto do púlpito, a propósito do casamento entre pessoas do mesmo sexo e que são irreprodutiveis.

Até Breve
Publicado no Jornal "tribuna Valpacense" em 03 de Julho de 2010